Desenvolvimento e Aprendizagem

Estimulação ambiental e desenvolvimento cognitivo

Adriana Silveira*

A relação entre desenvolvimento humano e aprendizagem tem sido estudada há anos por pesquisadores de diversas áreas, como a Filosofia, Linguística, a Psicologia, a Pedagogia e a Neurociência. Esta, nas últimas décadas, tem comprovado cientificamente o que estudiosos anteriormente já destacavam: a aprendizagem do indivíduo está ligada aos estímulos do contexto em que ele está inserido.

Lev Vygotsky (1896-1924), sob a perspectiva sociointeracionista, desenvolveu o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, enfatizando que as funções cognitivas ainda não amadurecidas na criança serão potencialmente desenvolvidas com o auxílio de um adulto ou de uma criança mais experiente, a partir de orientação adequada. Essa perspectiva revela a importância dos estímulos externos para a construção das habilidades, focando em potencialidades e avanços, e não em limitações. Hoje, a Neurociência é capaz de comprovar o pensamento de Vygotsky, pois sabe-se que o cérebro, influenciado pelo ambiente, está em constante transformação devido à neuroplasticidade – capacidade do sistema nervoso de mudar sua estrutura e função, a partir de estímulos externos.

Apesar das deficiências estruturais e funcionais comuns ao cérebro da pessoa com Síndrome de Down, a neuroplasticidade, obviamente, aí ocorre. Muito mais do que alguém que não tem a síndrome, a criança com Down necessita dos estímulos repetidos para desenvolver suas capacidades de atenção, memória e linguagem, por exemplo. Familiares e professores são, pois, os principais mediadores para o desenvolvimento da cognição. E, uma vez que as conexões cerebrais são extemamente maleáveis na infância, é importantíssimo que seja feita a estimulação precoce nos primeiros anos de vida, por meio de brincadeiras cotidianas que levem à exploração dos sentidos (olfato, tato, audição, paladar, visão), da mastigação, da coordenação motora, da propriocepção, da memória, da atenção, da linguagem.

Não apenas a quantidade, mas sobretudo a qualidade das experiências é definitiva para o desenvolvimento satisfatório das habilidades cognitivas. Por isso, o diálogo entre família e profissionais da educação e da saúde é primordial, no sentido de que estratégias de estimulação sejam efetivamente orientadas e de que haja conhecimento global acerca das potencialidades de cada indivíduo. Ademais, é importante zelar , é claro, pelas condições ambientais – ambientes acolhedores e eficientemente estimuladores , com envolvimento de todos os responsáveis pelo desenvolvimento da criança ou adolescente, são capazes de promover descobertas acerca de suas capacidades, bem como de incentivar sua autonomia, com vistas a seu desenvolvimento significativo e integral.

 

*Adriana Silveira é pedagoga, professora de Língua e Literatura Portuguesas e especialista em Gestão Educacional e Neurociência Aplicada à Educação, com ênfase em Práticas  Inclusivas na Área de Deficiência Intelectual.

Quer saber mais? Leia:

PALANGANA, Isilda Campaner. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky – a relevância do social. São Paulo:  Summus, 2015.

SILVA, Maria de Fátima M. C. e KLEINHANS, Andréia Cristina dos Santos. “Processos cognitivos e plasticidade cerebral na Síndrome de Down”. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, jan-abr 2006, vol 12, pp. 123-138. Disponível em https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382006000100009

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