Febre Amarela: pessoas com Síndrome de Down podem tomar a vacina?

 

Dr. Aleksandro Ferreira*

 

As recomendações para a aplicação da vacina para febre amarela mudaram em 2018. Devido ao aumento de casos nas regiões endêmicas, a recomendação é vacinar indivíduos entre 9 meses e 60 anos de idade em todo território nacional. Mas, e os indivíduos com síndrome de Down (SD)?

Primeiro o mais simples: as indicações e contraindicações para a vacina na SD são as mesmas, não há recomendações específicas. Agora as particularidades precisam ser lembradas e que estão gerando muitas dúvidas: a imunodeficiência, a dose fracionada e os casos já vacinados.

A síndrome de Down apresenta particularidades imunológicas que podem ocorrer desde o nascimento ou surgirem ao longo da vida. As imunodeficiências são mais frequentes nesses indivíduos sendo a razão pela qual algumas unidades de saúde estão pedindo relatório médico antes de aplicar a vacina de febre amarela, uma vacina de vírus vivo atenuado. Portanto é importante discutir a vacinação com o médico da criança antes de vacinar. Deve ser levado em consideração o risco conforme a região onde a criança mora, o histórico de infecções e as avaliações laboratoriais para imunodeficiência. Todos esses fatores devem ser ponderados para que o profissional da área da saúde e a família tomem a decisão de dar ou não a vacina.

Ao receber a vacina uma pergunta deve ser feita: se a dose aplicada é fracionada ou é a dose padrão. No caso de dose padrão é necessária apenas uma dose da vacina para a vida toda, enquanto a dose fracionada deve ser repetida em 8 anos e não pode ser administrada em pessoas que vão viajar para países que exigem o certificado de imunização do viajante. Nessas situações é necessária a dose padrão e cada unidade está orientada a administrá-la mediante apresentação de comprovante de viagem.

Quanto aos casos já vacinados não é necessário repetir a dose apesar da orientação do esquema vacinal anterior de nova dose após 10 anos. Trabalhos que revisaram a imunogenicidade da vacina mostraram que apenas uma dose ao longo da vida é o suficiente para garantir a imunização.

O Brasil está passando por um período de aumento de casos de febre amarela e existem ainda muitas informações importantes não são divulgadas de maneira adequada. É necessário lembrar de verificar as regiões de risco, pois em áreas endêmicas a vacinação se faz muito necessária. Outra questão que deve ser lembrada é do controle do mosquito, pois o risco de outras doenças como chikungunya, zika ou dengue é maior do que o risco de contágio por febre amarela na maior parte do território nacional. Portanto medidas contra o mosquito devem ser reforçadas e adotadas para evitar a proliferação da doença, até o momento os casos de febre amarela são silvestres.

Em casos de dúvidas procure o profissional responsável pela criança e a unidade básica de saúde da sua região.

 

*Aleksandro Ferreira é Médico Pediatra e Endócrino infantil, especialista em Síndrome de Down.

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